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TESTEMUNHOS
 

 

Aspectos de Saúde e Dificuldades de Aprendizagem 

Actualmente, muitas crianças revelam dificuldades de aprendizagem, que se traduzem em fraco rendimento escolar. São crianças que apresentam problemas na aquisição de linguagem, certa imaturidade na coordenação óculo-motora, lateralidade não definida, dificuldades de percepção espácio-temporal... mas com um desenvolvimento cognitivo quase normal.

Há que se destacar que, é através da linguagem que o homem se relaciona e comunica com o mundo que o rodeia. Logo, a importância de que a linguagem se reveste em todo o processo de desenvolvimento da criança torna-se evidente, uma vez que vai mediatizar todas as suas aprendizagens e aquisições. Daí a vantagem da criança ser capaz de comunicar, recorrendo a todo o tipo de linguagem oral, escrita, corporal e gestual.

As dificuldades que algumas crianças apresentam e que se manifestam ao iniciar a escolaridade (Ensino Básico), dado que é nos 1º e 2º anos do Ensino Básico que a criança tem de aprender a ler e a escrever, tarefa escolar que poderá transforma-se numa verdadeira angústia e numa enorme dificuldade caso não tenham sido adquiridos certos pré-requisitos. Estas dificuldades levam a criança a rejeitar as aulas, as actividades escolares... podendo mesmo conduzir a uma personalidade conflituosa.

Num passado muito próximo e mesmo hoje, não podemos ignorar que, diante qualquer desvio do padrão de comportamento, principalmente na escola, a primeira hipóteses de explicação ainda faz referência a um possível problema mental.

Mas, com o surgimento e contribuições de estudos o conceito de aprendizagem estendeu-se para além do conhecimento formal, académico. Qualquer sujeito, independente do seu comprometimento corporal, orgânico, cultural ou psicológico se relaciona e elabora aprendizagem, pois é um ser social, que estabelece relações vinculares durante toda a existência.

Nos dias de hoje, fica cada vez mais evidente que é necessário ter em conta o aspecto orgânico como independente na avaliação do problema de aprendizagem, no entanto é, também, indispensável que os aspectos cognitivos e afectivos sejam ponderados na elaboração do diagnóstico, como também no tratamento indicado.

Além deste factores, não se pode deixar de levar em conta os níveis económicos e culturais em que o grupo familiar da criança se encontra, bem como o tipo de escola que frequenta, uma vez que, se forem bem entendidas e encaminhadas as dificuldades de aprendizagem, as crianças/alunos podem ter assegurada uma relação mais harmónica, coerente e saudável com o conhecimento.

Finalmente, não esqueçamos que a melhor forma de ensinar é a que respeita o ritmo e as possibilidades de cada aluno. É frequente os pais destas crianças com dificuldades de aprendizagem pensarem que se trata de crianças “difíceis e obstinadas” porque não conhecem a realidade dos seus filhos. Assim, é fundamental que tomem consciência das dificuldades com que os filhos se debatem e que se deixem orientar por profissionais competentes, equipas multidisciplinares (Professores, Médicos, Psicólogos, Pedagogos...), capazes de iniciar o tipo de reeducação de que a criança carece, para poder superar as dificuldades o mais precocemente possível e possam desfrutar plenamente da sua cidadania.

 

Sidalina Mota

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